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  • TEMA DO ANO | SUBTEMAS E RECORTES

Subtema 2ª série 2019

  • O mercado, tornado global, e as fronteiras nacionais: o que podem as sociedades e os Estados Nacionais?
  • Mundo em rede, aonde estarão as fronteiras?
  • Os ricos e os pobres: o deslocamento das fronteiras nas diversas escalas. (Norte – Sul; IDH, super ricos e miserabilidade; países ricos, países pobres e miseráveis)
  • O trabalho formal e o trabalho informal: limites nebulosos entre essas esferas.

FRONTEIRAS ECONÔMICAS

 

Turma A –O mercado, tornado global, e as fronteiras nacionais: o que podem as sociedades e os Estados Nacionais?

Uma rápida observação do material publicado na imprensa nacional e internacional permite identificarmos uma agenda social, senão comum, muito próxima, entre as diversas configurações sócio espaciais dos diferentes países ou blocos regionais. Questões como a queda dos salários médios e o aumento do abismo entre “os de baixo e os de cima”; o recuo de direitos sociais e econômicos (e a luta dos trabalhadores por sua manutenção) diante da (s) necessária (s) reforma (s) do (s) sistema (s) da previdência social, fruto da mudança na expectativa de vida em todos os lugares, etc. são manifestadas em todos os lugares. Essa agenda próxima – para não dizer única – é evidência de um movimento interessante que combina a existência de um mercado global único, que parece operar “sem fronteiras”, com configurações socioespaciais limitadas por Estados nacionais e/ou blocos regionais, com fronteiras claras.

Pensando a partir dessa diferenciação (fronteiras x sem fronteiras) como pensar a necessidade, ou desnecessidade, de se impor limites ao mercado global? O “globalismo” e seu contrário, o neonacionalismo tem ocupado a centralidade nos debates geopolíticos sem que se tenha clareza de qual o melhor caminho a seguir para resolver a difícil equação da convivência de um mercado globalizado “sem fronteiras” e as formações sócio espaciais “com fronteiras”.

Investigar as diferentes proposições do globalismo, do neonacionalismo e as possíveis alternativas é o grande desafio aqui proposto.

 

Turma B –O trabalho formal e o trabalho informal: limites nebulosos entre essas esferas.

Em um artigo primoroso[1] publicado na edição 113 da revista XXXXXX, de outubro de 2011, Robert Neuwirth explicita a coexistência e a inter-relação existente entre os circuitos formais e informais da economia, tese já desenvolvida por Milton Santos sobre o capitalismo contemporâneo. Escreve ele,

Da mesma forma que os favelados vêm construindo os bairros do futuro, vendedores ambulantes e outros empresários ilegais estão criando os empregos do futuro. Nenhum governo, nem organização não governamental, nem empresa multinacional está em condições de repor 1,8 bilhão de empregos criados pelo submundo econômico. Na verdade, a grande expectativa de crescimento na maioria das economias emergentes se esconde nas sombras. Em Lagos, por exemplo, o comércio ambulante transformou-se em enormes empreendimentos ao longo das estradas. (…) Remi Onyibo e Sunday Eze, dois dos líderes da associação de comerciantes em Alaba, afirmam que o mercado movimenta mais de US$ 3 bilhões por ano.

De olho nesse potencial econômico, grandes corporações reconheceram que também podem se beneficiar da força de empreendedores informais. (…) A movimentação financeira decorre principalmente da venda de cartões de recarga de celulares realizada por uma enorme massa de ambulantes independentes que trabalha em barracas improvisadas sob guarda-sóis à beira das rodovias. O comércio sob os guarda-sóis é um mercado muito importante atualmente, avalia Akinwale Goodluck executivo para serviços corporativos da MTN em operações na Nigéria. “Nenhum empresário sério pode dar-se ao luxo de ignorar o comércio sob os guarda-sóis. (NEUWIRTH, R. 2011)

Diversos autores das ciências sociais e da economia, em particular, construíram entendimentos de que haveria uma fronteira clara entre as atividades formais da economia e as atividades informais. O capitalismo globalizado, bastante flexível, tem demonstrado que as fronteiras entre esses circuitos se dissolvem inaugurando formas novas (híbridas) de trabalho e renda. Alguns críticos apontam para a perda de direitos e regulamentação do trabalho (uberização, por exemplo), mas há de se reconhecer – e compreender – que há uma mudança importante em curso e que as fronteiras tradicionais entre as empresas (pouco flexíveis) e os empreendedores individuais – que buscam a sobrevivência nas dobras do sistema – exigem de todos nós clareza das novas relações que ali se compõem. Afinal: de quem é o pedaço?

 

 

[1] Bazar Globalizado Barracos, favelas e cortiços têm surpreendido pela visão inovadora por Robert Neuwirth

 

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