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  • TEMA DO ANO | SUBTEMAS E RECORTES

Subtema 7º ano 2019

O século XX conheceu os maiores índices de crescimento econômico da história humana e também a ampliação do debate em torno dos limites naturais – ou ambientais – desse “progresso”. Desde a década de 60, a crítica política ao modelo de desenvolvimento tem incorporado a questão da natureza como limite da ação humana pautada em altos índices de produção e consumo.

Em todos os lugares aparecem problemas ambientais derivados dos processos de apropriação da natureza promovidos pelas sociedades modernas que desafiam todos aqueles que se preocupam com o futuro do planeta ou, mais especificamente, da sustentabilidade da espécie humana no médio longo prazos.

FRONTEIRAS AMBIENTAIS

 

Turma A – Os limites do crescimento a partir da questão ambiental;

O século XX conheceu os maiores índices de crescimento econômico da história humana e também a ampliação do debate em torno dos limites naturais – ou ambientais – desse “progresso”. Desde a década de 60, a crítica política tem incorporado a questão da natureza como limite da ação humana pautada em altos índices de produção e consumo. Em 1972, uma primeira reunião envolvendo os Estados – nacionais pautou a questão ambiental como centralidade nas relações internacionais. (Limites do crescimento, Estocolmo, 1972); vinte anos depois, a ECO 92, no Rio de Janeiro não apenas discutiu o problema – que parecia se agravar – como também formulou a “Agenda 21”que procurava situar algumas ações necessárias à sustentabilidade da ação humana na Terra. Desse encontro, diversas reuniões setoriais, de clima, solo, biodiversidade, etc. têm debatido esse problema sem, com isso, conseguir construir um consenso amplo que reoriente as políticas dos agentes hegemônicos, fortemente marcadas pelo crescimento econômico ilimitado.

Será possível avançar a partir de um modelo que desconhece a o Meio Ambiente como uma fronteira importante de nossas ações? Se não, quais seriam as novas fronteiras que se colocam para nós?

Estudantes holandeses entraram na justiça contra o Estado requerendo ações práticas que melhorem a situação ambiental ligada ao aquecimento global; em março, estudantes britânicos paralisaram suas aulas para pressionar o parlamento por respostas efetivas. Como incorporar a questão ambiental como uma nova fronteira e quais ações são possíveis, nas diversas escalas, para produzir um mundo mais sustentável.

 

Turma B –A Biodiversidade natural como um horizonte de ação em relação com a Unicidade do modelo hegemônico.

Podemos definir “diversidade biológica” ou “biodiversidade” como

(…) a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.  (Artigo 2 da Convenção sobre Diversidade Biológica CDB).

Ao definir de forma não restrita às espécies, mas também às relações, a convenção coloca um problema bastante interessante para nossa abordagem. De um lado, temos o reconhecimento da existência de um mundo não humano (que podemos chamar de natureza), com características e relações próprias; por outro lado, não podemos restringir a biodiversidade à natureza, envolvendo nossa espécie como parte importante na definição dos processos socioambientais em curso no planeta.

O processo de globalização, apesar de manifestar diferentemente em cada um dos lugares, é único, e obedece às mesmas finalidades em todos os lugares. Os agentes hegemônicos produzem conjuntos técnicos, bastante eficazes, que se espalham pelo mundo para aumentar a produção e a produtividade das economias. No entanto, não há consenso entre os cientistas e movimentos sociais dos diversos lugares, sobre a adequação desses conjuntos técnicos na lida com a natureza e, menos ainda, de que é possível convertermos nossa imensa heterogeneidade, ambiental e social, em um mesmo e único processo.

De certa forma, o que alguns grupos começam a reivindicar é que a sustentabilidade da vida n o planeta depende do reconhecimento de fronteiras que delimitam formações socioambientais diversas que podem, e devem dialogar, mas não se submeter a uma mesma lógica.

Discutir a importância do reconhecimento da biosociodiversidade para a sustentabilidade do planeta, delimitar algumas de suas fronteiras e refletir sobre as bases de relação entre os lugares consiste em um ponto fundamental na política mundial contemporânea.

 

Turma C –Conservação X Preservação: a quem pertence as grandes áreas naturais e como geri-las?

No Brasil e, em todo o mundo, há uma preocupação de se criar áreas de proteção ambiental (APAs) que têm diversas finalidades que vão desde a exploração turística ou educacional até a preservação de porções da natureza que, se acredita, devam permanecer senão inalteradas, com poucas intervenções.

A Amazônia é o maior bioma do mundo e, sem dúvida, uma fronteira natural para o modelo atual. Em recente matéria publicada na Folha de São Paulo[1], Felipe Biasoli sugere a existência de três possibilidades de nos relacionarmos com aquele bioma: a exploração dos recursos naturais (mineração, madeira, etc.) e a substituição da floresta por áreas produtivas nos moldes do modelo atual de agropecuária; a preservação da floresta reduzindo ao máximo toda e qualquer forma de interferência humana, inclusive na relação com os grupos sociais que nela habitam, que devem ficar alijados das conquistas sociais da humanidade; ou, buscar uma terceira via que valorize o potencial da área e busque formas alternativas de desenvolvimento, o que implicaria investimentos importantes no desenvolvimento de novas epistemologias e finalidades na relação. O caminho, apesar de parecer o mais adequado, não é simples e dele derivam caminhos difíceis de serem trilhados, seja pela demanda de uma nova mentalidade, seja pelos interesses políticos hoje existentes. Fronteiras.

 

Turma D –O aquecimento global como fronteira: o que dizem os cientistas e aqueles que nele não acreditam?

 

Nos últimos tempos o aquecimento global, isto é, o aumento da temperatura do planeta devido ao acúmulo de gases poluentes na atmosfera que provoca um incremento da retenção de calor – e irradiação de energia na superfície da Terra – proveniente de ações humanas (inadequadas) na produção da economia, tem sido objeto de debates políticos em torno da sustentabilidade do modelo de desenvolvimento atual.

Diversas são as evidências de que há, em curso, um aumento da temperatura média, no entanto, as causas desse aumento é que se constituem como objeto de debate. De um lado, cientistas que apontam características insustentáveis no modelo de desenvolvimento, pautado em altos índices de produção e consumo, ligados principalmente a um uso indiscriminado dos recursos naturais movido, predominantemente, pela queima de combustíveis fósseis que são poluentes; de outro lado alguns pensadores que consideram a oscilação da temperatura média como um fenômeno natural – próprio dos ciclos do planeta – e que consideram a ação humana um elemento menor na variação da temperatura, portanto, consideram o modelo atual sustentável.

Discutir o aquecimento como uma fronteira implica refletir, com qualidade, a sustentabilidade do modelo atual, seis limites e os princípios que devem orientar nossa conduta como partícipes da vida no planeta Terra.

 

[1] BIASOLI, Felipe Iraldo de Oliveira. – Dinheiro que dá em árvore. Caderno Ilustríssima. Folha de São Paulo, 17 de março de 2019. P. 3

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