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  • TEMA DO ANO | SUBTEMAS E RECORTES

Subtema 8º ano 2019

Hoje, mais que nunca, o virtual se incorpora ao real. Não o substitui, mas se agrega, alterando de forma significativa a forma pela qual percebemos e experimentamos o espaço-tempo, nos relacionamos com os outros e, claro, na forma pela qual desenvolvemos nossos processos de subjetivação.

Compreender alguns aspectos dessa nova realidade implica nos abrirmos para o novo, sem que isso signifique uma adesão cega ao novo, mas reconhecer a nova composição do mundo e adotar, sobre ela, uma perspectiva investigativa, que busca compreender e, sempre que possível, orientar condutas para uma relação equilibrada diante dos novos recursos.

PÚBLICO E PRIVADO / VIRTUAL REAL

 

Turma A –A Internet como um lugar público:

Muita gente tem postado textos, desenhos, imagens, etc. nas redes sociais da internet, nem sempre muito preocupados com implicações, ou com a repercussão daquilo que publicam. São frequentes os desacordos em torno das publicações regionalistas, ou racistas, sexistas, classistas, etc. Diante desses desacordos, é comum que o autor da postagem argumente em favor da liberdade de expressão e, além disso, identifique a parcela do espaço virtual do qual ele faz parte “minha página”, como um espaço de liberdade individual. No entanto, a rede parece ser um espaço público cuja regulação ainda está por ser definida e, para tanto, deverá contar com a participação de todos nós no processo. As fronteiras entre o público e o privado nas redes sociais – por paradoxal que possa parecer – não estão claras para muita gente que segue achando que os conteúdos podem ser postados de forma livre e pouco cuidadosa, sobre si mesmo – expondo fotos, pensamentos, etc. – sobre o(s) outro(s), ou produzindo juízos nem sempre bem qualificados sobre questões sociais sem maiores consequências. Discutir alguns usos e formas de regulação (fronteiras) das redes sociais será nosso desafio.

 

Turma B –A quem interessa o que eu estou fazendo ou assistindo?

No dia 13 do mês de março, em Suzano SP, dois jovens invadiram armados uma escola e fizeram algumas vítimas fatais entre alunos professores e funcionários, deixando todos nós estarrecidos diante da violência do fato e das imagens que veiculadas em televisões e sites da internet. Ainda impactados diante das imagens, alguns jornalistas colocaram em debate a redução da maioridade penal (um dos jovens tinha 17 anos), outros discutiram o acesso às armas. Vasculhando a vida dos jovens em busca de explicação – ou, talvez, compreensão – do que os teria levado a cometer um ato extremo, encontraram diversos registros que levavam a símbolos de violência presentes em jogos virtuais, o que acendeu um debate em torno da relação entre a experiência virtual dos jogos (alguns jovens chegam a jogar jogos violentos 8 ou 9 horas por dia) e o comportamento social dos jovens. Até agora parece não haver provas científicas da correlação entre as experiências virtuais (por exemplo, dos jogos violentos) e comportamentos sociais considerados estranhos, ou inadequados. No entanto, há uma suspeita de que essas experiências têm sido, cada vez mais, importantes na formação das subjetividades e sociabilidade dos indivíduos. Discutir as fronteiras entre experiência virtual e comportamento social é hoje um desafio para todos os que quiserem entender o que está acontecendo.

 

Turma C –Sou visto, logo existo!

A rede internacional de computadores Internet chegou no Brasil no início dos anos 90.  Inicialmente vinculada à rede telefônica e dependente dos computadores, ela desempenhou um papel importante, sobretudo no campo de produção e difusão do conhecimento, mas teve pouca penetração social. No início dos anos 2000, com o avanço tecnológico da rede e o surgimento dos smartphones – e seus aplicativos – não apenas a elite, mas todo o conjunto da sociedade se viu diante de uma experiência de comunicação, sem precedentes, que alterava (e continua alterando) a forma pela qual existimos no mundo (nosso processo de subjetivação) e como nos relacionamos com os outros. As redes sociais estão fartas de imagens de nós mesmos difundidas em rede que nem sempre – sabemos – estão sob nosso controle, mas parece que não estamos dispostos a parar de publicar por onde e com quem andamos, o que comemos, o que fazemos. Alguns autores chamam atenção para o fato de estarmos vivendo em uma <<Sociedade Escópica>>, cujo lema central seria “Sou visto, logo existo”! Cada vez mais, parece que nossas individualidades e relações só fazem sentido se tornadas públicas, se vistas nas redes sociais. Pensar nas fronteiras entre o público e o privado e de que forma isso influi na minha constituição como sujeito e em minhas relações é a proposta do tema.

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