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  • TEMA DO ANO | SUBTEMAS E RECORTES

Subtema 9º ano 2019

A arte, durante um tempo, foi compreendida – ao menos no senso comum – como a busca pelo “belo”. Há muito tempo que os artistas têm ampliado essa perspectiva e nos provocado a “sentir – pensar” o que até então parecia fora de questão. A arte se constitui, sem dúvida como uma fronteira para todos nós que habitamos o mundo contemporâneo e partilhamos aqui nossa sensibilidade, produzimos sentidos.

Pensar algumas fronteiras da arte é desafiar o próprio sentido da arte no contexto atual.

FRONTEIRAS DAS ARTES

 

Turma A –A arte ultrapassa as fronteiras das galerias e ganha as ruas:

Qual o “lugar” da arte? A resposta a essa pergunta sugere, ante de qualquer posição, uma indagação sobre o que é mesmo que chamamos de arte e quais seus sentidos. Segundo Lorenzo Mammi, a arte

(…) encontra espaços sempre mais precários e problemáticos no mundo contemporâneo; mas que, no entanto, ela continua sendo uma atividade essencial para o sistema de valores com os quais nossa cultura se baseia. E cabe ao artista (e com ele ao crítico) detectar os espaços onde essa atividade possa ser exercida com um grau aceitável de liberdade e consistência. E quando falo de arte, não entendo nem as estruturas institucionais, nem um conjunto de commodities (desse ponto de vista a arte vai muito bem, obrigado), mas a possibilidade de gerar novas experiências significativas a partir de objetos singulares. (MAMMI, L: 2012 p.8)

Dessa forma, pensar o “lugar” da arte é pensar também seu contorno enquanto objeto ou processo artístico, que toca nossa sensibilidade e, com isso, desloca nossa existência individual e/ou coletiva. Argumentar em favor da “ocupação” dos espaços pela arte não é o mesmo que dizer que a arte está em todos os lugares, enfim, qual ou quais o lugar da arte?

 

Turma B –Fronteiras: entre o singular e o particular universal nas artes

Em todos os cantos do mundo se produz arte. Podemos afirmar que a arte é parte importante da cultura de um povo e, através dela, de seus membros – os artistas – manifestam sentimentos, entendimentos, crenças, valores e, dessa forma, fazem circular significações, sensibilidades. Podemos pensar, por exemplo, a arte expressando, ou traduzindo, um “espírito de época” em movimentos como Barroco Mineiro, o Futurismo italiano, a Bossa Nova ou o Modernismo brasileiro na arquitetura. No entanto, também é possível reconhecer algo de universal nas obras de artistas como William Shakespeare ou Guimarães Rosa; Beethoven, Beatles ou Caetano Veloso; Pina Bausch ou Deborah Colker; Picasso ou Cildo Meireles, que expressam o “Humano”, embaralhando as fronteiras culturais, ou espaço-temporais. Seria a arte desprovida de fronteiras culturais – ou regionais – que limitam seu entendimento produzindo, através da sensibilidade (sensível), referenciais de significação? Será que há algo de humano em cada um dos artistas que transcende seus lugares? Poderia a arte aproximar culturas, ou será que, por sermos todos parte da humanidade, isso não seja necessário?

 

Turma C –A arte inaugura e conforma mundos: as identidades na arte

Será que a arte expressa também as fronteiras entre culturas, ou mesmo as fronteiras internas de uma mesma cultura? Alguns movimentos como a Semana de Arte Moderna de 1922, o Tropicalismo, o teatro do oprimido ou o Cinema Novo tentaram sintetizar identidade(s) e, através de suas produções artísticas, demarcaram FRONTEIRAS que incluíam e excluíam traços sociais. As representações e ideações do povo brasileiro, de suas crenças, desejos, princípios, projetos foram expressos de diferentes formas, nem sempre em sintonia com os traços dominantes do povo, mas como projetos políticos que requeriam legitimidade em suas formas de representação. Em todos esses movimentos se procurou desmanchar e, ao mesmo tempo, deslocar as fronteiras entre a cultura popular – suas expressões artísticas – e a cultura das elites, nem sempre logrando sucesso. Refletir em torno dessas fronteiras que estabelecem identidades e demarcam limites entre o popular e o erudito, e mesmo suas mesclas é nosso objetivo.

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