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Subtema 6º ano 2021

6º ANOS

TEMA DA SÉRIE

CULTURA

Uma das dimensões mais importantes do mundo contemporâneo é a produção cultural das sociedades, como antes foi a agricultura e mais tarde a indústria. A produção cultural difere dos períodos anteriores por não estar diretamente atrelada à reprodução material da sociedade, mas sim à produção de significados e, claro, na disputa política de construção dos sentidos sociais do mundo. Muitas vezes se confunde a cultura com erudição e as artes são compreendidas como algo inacessível às pessoas comuns. Na contramão dessa perspectiva, há uma busca pela afirmação das artes como expressão social dos diversos grupos sociais que habitam as cidades contemporâneas, assim como uma busca dos “espaços de cultura” de se tornarem “espaços de partilha” (não gosto da ideia de espaços de inclusão) mais amplos. Refletir em torno da produção cultural, os espaços que ela ocupa, e sua importância na construção dos sentidos sociais é o desafio que se coloca para todos aqueles que pretendem participar da produção – reprodução ou transgressão – política das sociedades contemporâneas.
  SUBTEMA 6A – ESPAÇO PÚBLICO, ARTE E CIDADANIA
    A arte tem ocupado os espaços da cidade que é, como afirma Doreen Massey, a possibilidade da existência da multiplicidade (da diferença), portanto, dimensão aberta sempre a novas significações. A importância da arte nas cidades não se reduz à estética, mas é também política, dado que produtora de novas significações e desafios. Adorno escreveu que os poetas (artistas da palavra) raramente sabem muito bem o que dizem, mas sempre dizem antes, isto é, antecipam questões emergentes e nos fazem pensar o que até então parecia impensável. Observar a arte nos espaços públicos da cidade é mais que curiosidade ou experiência estética, mas a busca de produção de horizontes novos para o devir urbano, para aquilo que pulsa (e o que pulsa?) como possibilidade.
    6B – OCUPAR: ESPAÇOS INSTITUCIONAIS DE ARTE E SUA RELEVÂNCIA NA CIDADE
  SUBTEMA Por todos os cantos da cidade, mais concentrados no centro é verdade, centros de exposição e difusão cultural estão abertos, mas nem sempre devidamente visitados. O acesso à produção cultural permanece ainda, em larga escala, restrita aos públicos iniciados. Aumentar o acesso a essa produção é um dos grandes desafios das instituições formais de exposição e difusão cultural. Interatividade, promoção, comunicação… qual será o caminho mais fértil? Como produzir um ambiente cultural favorável para que mais gente possa desfrutar dessa produção e, com isso, ressignificar a relação de todos com sua cidadania, que inclui o direito à cultura como um direito à cidade.
    6C – (RES)EXISTIR: ESPAÇOS ALTERNATIVOS DE ARTE NA CIDADE
  SUBTEMA A produção cultural não formal, ou não formalizada, é imensa e muito pouco difundida como forma de produção cultural política da cidade. Na maioria dos casos, o que se considera arte é a produção estética cultural das elites – das classes médias e alta da sociedade – diferenciando inclusive do que alguns denominam cultura popular, muitas vezes confundida, ou associada, à folclore. Diversos espaços alternativos de cultura nos mostram que é possível ampliar, e muito, nossos horizontes estéticos e, com isso, criarmos outras possibilidades de conceber o devir urbano, seja no plano da democratização de acesso às artes, seja no que as artes podemos nos informar como representações sociais na e da cidade.
    6D – ARTE DE INTERVENÇÃO: ESTÉTICA E POLÍTICA
  SUBTEMA A história das cidades e das artes muitas vezes se misturam, seja na arquitetura – uma dimensão objetiva mais imóvel – seja na produção artística que encontra no espaço urbano campo importante de manifestação e deslocamento estético, sensível, com importantes efeitos na experiência individual e coletiva das cidades. Já na década de 20, o dadaísmo buscava alterar o estatuto da arte de “representação do mote à construção de uma ação estética a ser realizada na realidade da vida cotidiana” ou que os levou a organizar “excursões urbanas aos lugares banais da cidade” (Careri: 2013). Mais tarde, Guy Debord e os situacionistas radicalizaram a proposta de intervenções artísticas no espaço urbano com o objetivo de irromper o cotidiano alienado das cidades e propor uma apropriação do espaço que incorporasse o sensível. De lá para cá diversos foram os artistas que se organizaram individualmente, ou em coletivos, para propor intervenções urbanas com o objetivo de produzir novas significações na experiência cotidiana. Em Salvador, por exemplo, o Grupo de Intervenção Ambiental (GIA) tem desenvolvido diversos trabalhos neste sentido. Investigar algumas dessas propostas de arte de intervenção, refletir acerca suas intenções e táticas, e os possíveis impactos na experiência individual e coletiva nas cidades é o nosso objetivo.

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