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CONESCO

Imagem Conesco 2021

No início de julho, após a eleição de todos os representantes de Projetos Pedagógicos (que ocorre em cada turma do 6º ano do E.Fundamental à 3ª série do E.Médio), foi realizado o Fórum de Estudantes do Colégio Oficina, pela primeira vez em formato Online. Desta forma, foi possível contarmos com a presença de todos os alunos e não apenas os representantes, sendo oportunizada a todos os estudantes participação ativa nas discussões e socialização de sugestões para construção  dos projetos pedagógicos ao longo de mais um ano letivo.

Após muita escuta e planejamento, chegou a vez do nosso Congresso de Estudantes do Colégio Oficina (CONESCO) 2021 ganhar corpo. Todo ano são escolhidos temas estratégicos que são debatidos e estudados pela comunidade escolar. O CONESCO é um momento em que os alunos e alunas se mobilizam para debatermos subtemas derivados do tema do ano junto a especialistas, seguindo os parâmetros da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, da  UNESCO. centrada nas quatro aprendizagens: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver; aprender a ser.

Tradicionalmente produzido pelos alunos dos Ensinos Fundamental e Médio, é um evento que envolve a participação de toda a Comunidade Oficina. Durante os primeiros meses do ano os professores trabalham sistematicamente o Tema e seus subtemas adotados de acordo com a faixa etária de cada série. A partir dos subtemas são propostas mesas de debate, cabendo aos alunos a divulgação do Congresso, bem como o convite aos palestrantes-especialistas de diversas áreas. Seguem-se a essa etapa as inscrições, instalações artísticas temáticas, recepção de convidados, entrega de certificados e elaboração de textos-síntese. Cria-se portanto, um espaço de debate para a discussão de questões relevantes da conjuntura regional, nacional e internacional.

Neste ano, o evento terá o formato Online. Os professores já vêm trabalhando o Tema do Ano e respectivos subtemas há algum tempo com as turmas e também as famílias foram convidadas para uma reunião com o consultor temático Marcelo Faria, para conhecerem mais a fundo, se apropriarem e discutirem o tema eleito:“Terra e Cidadania: o futuro depende do presente” e respectivos subtemas clique aqui e conheça cada um deles!

O professor Marcelo Faria é o especialista contratado para dar suporte teórico aos professores e corpo técnico, bem como para elaborar o texto de apresentação do Tema e as ementas do subtema de cada turma

Marcelo explica que o tema foi aprovado em 2019, ainda no “mundo pré-COVID”, porém, quando os trabalhos com os alunos de fato estavam para começar, foi decretada a pandemia e com ela o estado emergencial, colocando todos nós “em suspensão”. Agora, em 2021, retomamos com o tema que se mostra mais atual do que nunca, parecendo ter sido feito sob medida para o tempo presente em que vivemos.

Marcelo explica que tivemos um momento de suspensão da nossa experiência de mundo e, de certa forma, ninguém sabe se voltaremos para o “velho normal”, um “novo normal”, ou mesmo se haverá algum “normal”. O que parece ser bastante razoável dizer, segundo ele, “é que o que vai ser depende muito da forma pela qual a gente agencia os nossos pensamentos e as nossas ações, para construir o devir”.

Marcelo define que estamos vivendo em um momento bastante específico, no qual nossa capacidade de organizar a vida a partir de um projeto de futuro foi minada  – seja pela velocidade com que o mundo vai se reciclando, seja pela instabilidade produzida através do processo de globalização. Nesse contexto, parafraseando o sociólogo Sigmund Bauman, “estamos mais descuidados, ignorantes e negligentes quanto ao que virá”. Essa falta de projeto nos tem levado a sermos mais descuidados com a ideia de futuro, ou seja, estamos mais preocupados com o aqui e agora. .

A proposta do Tema do Ano, portanto, surge a partir deste contexto, como um convite a refletirmos e buscarmos agir com precaução e responsabilidade. Pela necessidade de reconstruir uma representação de futuro como algo positivo, resgatar a esperança de produzir um mundo no qual desejamos viver e, com determinação, voltarmos a acreditar que é possível produzirmos um mundo melhor.

Marcelo arremata: “Parece que estamos em um momento crítico, no bom sentido da palavra crítico (não naquele sentido comum que se usa na economia, que sempre se refere à crise como desagregação e falência… Mas nesta outra perspectiva, a partir da qual podemos falar em crise a partir da ideia de mudança e de construção do novo.

Clique aqui e confira imagens das edições passadas do CONESCO!

Simulados SAS auxiliam na preparação para ENEM

Imagem Marca Simulado SAS enem

Os alunos da 3ª série realizaram o 5º ciclo de Simulados SAS Online, um dos muitos recursos disponíveis aos estudantes do Ensino Médio com a adoção do Sistema Ari de Sá. Nos Simulados SAS ENEM On-line, o aluno responde a 180 questões sobre as quatro áreas de conhecimento, que são corrigidas exatamente da mesma forma que o ENEM, de acordo com a Teoria de Reposta ao Item (TRI). 

A parceria com o SAS oferece aos nossos alunos uma plataforma de Ensino completa, cujos resultados podem ser conferidos pela liderança alcançada em aprovação no SISU 2021.Através dela, os alunos têm acesso a material didático, simulados, correções completas de questões com sugestão de conteúdo (aulas, listas de exercícios) sobre os assuntos em que têm mais dificuldade, além de boletins individuais e atualizados de desempenho com informações apuradas sobre seu nível preparo para o Exame.

Projeto Cidade: 6º ano discute “Mobilidade Urbana”

Imagem Cidade mobilidade

Conhecer a cidade onde moramos nos mais variados aspectos é um exercício enriquecedor. Trabalhar com o tema cidade é uma forma de se reconhecer enquanto indivíduo agente criador e transformador de uma sociedade e exercer a sua cidadania. O projeto Cidade nasceu há mais de 10 anos com esse propósito.

Em 2021, o tema escolhido foi MOBILIDADE, e os(as) alunos(as) do 6° ano tiveram a oportunidade de compreender que as decisões tomadas sobre a mobilidade urbana afetam o dia a dia de todos. O projeto envolveu muita pesquisa, leitura e discussões, com atividades individuais e em grupo, resultando inclusive na produção de um anúncio publicitário com Redação sobre o tema “Cidade cidadã”.

O engajamento e empolgação dos nossos meninos e meninas do 6o ano neste projeto lindo foi incrível!

Subtema 3ª série 2021

3º ANOS CONDIÇÃO PLANETÁRIA  
    O FUTURO A NÓS PERTENCE: MODELO HEGEMÔNICO, (IN) SUSTENTABILIDADE E OUTRAS POSSIBILIDADES.
    A condição planetária de nossa experiência contemporânea apresenta desafios tão novos que o recurso ao passado como referência para orientar nossa conduta parece um caminho pouco fértil. As crises ambiental, política, econômica e social do mundo globalizado parecem desafiar todos nós a buscar alternativas que sejam exequíveis e que possam ter efeitos significativos na sustentabilidade ambiental, com maior justiça social e econômica. O modelo hegemônico tem se mostrado incapaz de gerar alternativas endógenas para reverter suas crises. O encontro de Davós de 2020, mostrou que a risco da insustentabilidade ambiental, da proliferação de sistemas autoritários, da concentração de riqueza e o retorno dos nacionalismos conservadores têm sido parte importante do desenvolvimento e das tensões à ele associadas. Imaginando que esses sejam desafios fundamentais de serem enfrentados por todos aqueles que vivem a experiência da globalização nos moldes atuais, é importante pensar que o futuro dependerá de nossa capacidade de produzir julgamentos bem elaborados sobre os termos da crise e agenciar – em todos os lugares – e na rede global ações que permitam a construção de um mundo melhor. O futuro não está lá na frente, seja no socialismo marxista, seja no equilíbrio de mercado advogado pelas políticas neoliberais, mas sim na construção de ações no presente que orientem os caminhos do mundo em que desejamos viver. Que mundo será esse e quais ações são necessárias à sua produção?

Subtema 2ª série 2021

  • 2º ANOS TEMA DA SÉRIE

    ECONOMIA

    As transformações econômicas do mundo contemporâneo são enormes e parece que não dispomos de mecanismos claros de análise para compreender o que está acontecendo ou, pelo menos, para onde estamos conduzindo o mundo. Os mercados parecem ter um humor próprio que ninguém consegue identificar e, menos ainda, controlar. Os efeitos disso na produção da vida, por exemplo na composição e organização do trabalho, e na organização dos espaços mundiais, articulados em rede, são mensuráveis, mas, até agora, pouco promissores. Refletir sobre as ocupações (composição e relações) que vão desaparecendo se ressignificando e surgindo no futuro, as realizações individuais e coletivas no mundo do trabalho, aliada aos novos cenários econômicos serão elementos fundamentais na construção de um mundo menos desigual e mais humanizado. Questões como: Qual o futuro do trabalho? Como serão as composições diante da revolução tecnológica? Será possível produzir um mundo menos desigual? estão na ordem do dia e deverão ser enfrentadas com atenção e responsabilidade por todos nós para a produção de um mundo no qual desejamos viver e, por isso, devemos reunir as condições para construí-lo..
      SUBTEMA 2A – IMPACTOS TECNOLÓGICOS E METAMORFOSE NO CAMPO DO TRABALHO
    A revolução tecnológica da microeletrônica e da robótica gerou impactos importantes em todos os campos de atuação humana, redefinindo sentidos e relações. O trabalho foi, sem dúvida, um dos campos mais impactados pela revolução tecnológica, fazendo desaparecer uma série de atividades, transformando outras e, claro, fazendo surgir novas possibilidades que – ao menos até agora – parecem nos desafiar não apenas na formação profissional necessária para desempenhar essas atividades (que ainda não conhecemos) até no desafio da geração de empregos para repor as vagas fechadas. Ao que parece, há uma crise instalada no campo do trabalho, que ainda estamos longe de compreender seus contornos e mais ainda de promover políticas afirmativas. Pensadores como Yuval Noah Harari têm postulado problemas interessantes para reflexão, mas ainda no plano do entendimento e do desafio do devir. Debater os contornos do trabalho em um mundo altamente tecnológico é o grande desafio do mundo contemporâneo.
    2B – O DESAFIO DA DESIGUALDADE EM UM MUNDO ARTICULADO EM REDE
        A desigualdade econômica e social tem aumentado muito entre os diferentes lugares do mundo. Apesar da ampliação da riqueza em escala estratosférica não contribuiu para diminuição da desigualdade seja entre os lugares, ou em cada um dos lugares. Os super-ricos aumentam seus rendimentos ao mesmo tempo em que as classes médias e baixas estão empobrecendo. Recentemente o jornal Folha de São Paulo produziu uma série de cinco micro documentários sobre a desigualdade mundial e os resultados não são muito otimistas. Mudanças na organização do mercado globalizado que tenham como efeito a diminuição das desigualdades são esperadas, mas ainda é indefinido os contornos das mudanças. O que parece consenso entre os pesquisadores é que o modelo atual não tem como se reproduzir a médio-longo prazos. Pensar alternativas ao modelo atual é um imperativo e exigirá, além de crítica, uma posição de imaginação sobre o devir.

Subtema 1ª série 2021

1º ANOS POLÍTICA O ser humano é, por natureza, um ser social, o que implica sermos também políticos. No entanto, desde a formação dos Estados-nação nunca vivemos um momento tão turbulento nas formas de representação política e, mais que isso, na forma pela qual nos organizamos para fazer valer nossos interesses nas arenas políticas. Indivíduo, Comunidade, Sociedade e Estado mantêm entre si relações sempre muito tensas e questões como liberdade e segurança (individual e coletiva) representatividade dos interesses, negociação de demandas necessitam de agenciamento político na diversidade e as formas pelas quais nos organizamos parecem estar em crise. O que pode ser bom, afinal, é a partir do reconhecimento da crise e das possibilidades de reorientação de condutas que podemos avançar no complexo jogo de existir em coletivo.
    1A – DEMOCRACIAS E A CRISE DA REPRESENTAÇÃO
“Percebemos que o Brasil vive um processo que se encaixa nas discussões internacionais sobre ‘a crise da democracia’, e vive uma degradação das instituições democráticas por dentro” Carta Capital digital https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-crise-da-democracia-no-Brasil/4/45472 Essa crise não é nova, mas atinge um novo patamar com o descrédito das instituições de representação, da imprensa, das universidades, etc. que operavam como “gate keepers” das demandas sociais, balizando as discussões e procurando ordenar o debate público. A Democracia depende da crença de seus membros na coesão do sistema e, por extensão, da legitimação de suas instituições. Pensar a crise atual a partir da fragilização desses aspectos, e a importância de se resgatar o sentido público da política é um grande desafio para o devir da política no mundo contemporâneo.
1B – CIDADANIA ATIVA E ESTADO: OS DILEMAS DE UMA RELAÇÃO EM CRISE
O que pode o cidadão na organização política do mundo contemporâneo. É fato que as demandas sociais têm se ampliado e que os poderes instituídos parecem não dar conta de fazer valer a multiplicidade de vozes e demandas da sociedade contemporânea, gerando uma espécie de distanciamento entre as esferas de poder decisórias do Estado e as demandas sociais. Há uma relação tensa entre o cidadão e o Estado de tal forma que os cidadãos parecem estar buscando – sem muito sucesso – formas alternativas de participação e de fazer valer suas vozes na esfera pública. O Estado, por sua vez, tende a criar canais de participação que nem sempre são reconhecidos como lugar de expressão dos anseios políticos, seja por não atenderem as demandas, ou por falta de confiança da população na política institucional. Pensar mecanismos de ampliação da participação política dos cidadãos e grupos nas políticas institucionais que favoreçam maior permeabilidade social nas esferas decisórias do poder constituído pode ser um caminho alternativo interessante para resgatar a confiança da população no Estado.
1C – NOVAS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO POLÍTICA: COLETIVOS E PARTICIPAÇÃO
    Os partidos políticos e os sindicatos têm vivido experienciado, junto aos cidadãos, tempos difíceis. O mesmo acontece com os representantes do povo junto aos poderes instituídos nas três esferas de poder. Recentemente, um grupo de cidadãos requereu a possibilidade de participação coletiva na câmera de vereadores da cidade de São Paulo, a maior do país. Embora não haja espaço político institucional reconhecido para essa forma de participação, sendo necessária a identificação de um único cidadão como representante legal, o grupo tem operado segundo a lógica de um coletivo de poder, inclusive com representação política múltipla nas comissões, o que é absolutamente novo. Fora dos poderes instituídos, diversos grupos “coletivos” têm se organizado para buscar fazer valer suas vozes e demandas nas esferas de poder, s em que se identifique uma liderança, e buscando uma organização mais horizontal que, segundo eles, expressa melhor a força política (forma e conteúdo) que buscam instituir. Compreender essa nova forma de fazer política e seus efeitos no jogo de poder da esfera pública é o desafio que se impõe a quem quer compreender as novas dinâmicas do jogo político.

Subtema 9º ano 2021

9º ANOS PLURALIDADE SOCIAL Os seres humanos sempre estiveram em movimento, indo de um lado ao outro, encontrando, estranhando, aprendendo e se comunicando com o outro. O que há de novo é a densidade dessas trocas e a ampliação de nossa capacidade de movimento (físico ou informacional) que desafia permanentemente todas as sociedades a (des)aprenderem e a produzir novos mundos a partir de referências múltiplas. O “Outro” é – sempre foi – um desafio, mas se antes ele estava espaço-temporalmente distante, agora a proximidade objetiva ou virtual aparece como um dado real que nos obriga a conviver em sociedades complexas. As alternativas para lidar com essa situação são várias e nosso comportamento no “encontro com o outro” será um elemento fundamental para construção de um outro mundo possível. O devir dirá se fomos ou não capazes de lidar com esse desafio, mas como ele (o futuro) não está em lugar nenhum, mas é uma construção, nossas compreensões, apostas, investimentos e posicionamentos são fundamentais para a configuração do mundo em que queremos viver.
  A – MIGRAÇÕES: UM GRANDE DESAFIO EM ESCALA MUNDIAL.
Segundo a ONU, vivemos atualmente os mais altos índices de movimentação populacional da história humana. As razões são as mais variadas possíveis que vão desde aqueles que desejam morar em outro lugar – e por isso se deslocam – até aqueles que não podem ficar, cujo movimento, bem diferente, se dá em função de elementos como crise ambiental, violência política, fome e religião. No primeiro caso, o impacto do movimento é reduzido, posto que é em baixa escala; já no segundo, o desafio se coloca desde antes da partida até depois da chegada. Refletir em torno dessa dinâmica que marca o contexto mundial hoje é fundamental, sobretudo nos países desenvolvidos – destinos mais comuns dos movimentos – mas também dos semiperiféricos, como o Brasil, que passa a ser destino de populações como os migrantes do Haiti e da Venezuela. Como lidar com esse problema? Quais as ações desejadas no plano social e político para lidar com esses movimentos de forma que a humanidade e a dignidade da pessoa humana estejam em primeiro plano de nosso debates e, claro, das políticas deles derivadas?
B – MULTIREFERENCIALIDADE E HIBRIDISMO NA PRODUÇÃO DA CULTURA BAIANA E NACIONAL
O que será que compõe a identidade de um povo, de uma Nação? O que significa ser brasileiro, baiano ou soteropolitano na contemporaneidade? Se em algum momento foi possível construir com maior rigor um “caráter” social das populações, que conferiam aos grupos sociais alguma identificação, hoje isso parece ser, senão impossível, bem mais difícil. A complexificação das sociedades construída pelo fluxo (quase) ilimitado de informações e referenciais faz com que seja muito difícil situarmos os sentidos de nossa cultura. Há limites para o que alguns chamam de apropriação cultural? Se todas as culturas são hoje híbridas, aonde estariam as fronteiras que separam os diferentes grupos e a eles conferem identificações. Seriam as fronteiras dispensáveis nos tempos atuais? Como pensar uma identificação a partir do hibridismo e da multireferencialidade, em outras palavras, o que é que a baiana – e os baianos – tem?
C – IDENTIFICAÇÃO E ALTERIDADE: O DILEMA DE CONVIVER NA DIFERENÇA
Uma das características importantes das sociedades contemporâneas é a complexidade, fruto do trânsito de pessoas, mercadorias e informação em escala mundial, conformando sociedades multireferenciada. Essa composição tem levado muitos grupos a pleitear referenciais identitários que permitam, ao menos na visão deles, que sejam percebidos como grupos sociais portadores de identidade e legitimidade. Esse processo de identificação também é, em certos casos, desafiador à existência e convivência com a diferença. A alteridade. Pensar a difícil equação de afirmação das identidades e convivência com a alteridade é um desafio que se coloca a todos aqueles que querem produzir um espaço político de interação, menos intolerante, mais democrático.

Subtema 8º ano 2021

8º ANOS CIÊNCIA E TECNOLOGIA Nas sociedades contemporâneas, os conteúdos de ciência e técnica não se restringem à dimensão material de produção econômica, mas influenciam na forma pela qual lemos e compreendemos o mundo e, claro, na forma pela qual projetamos e nos organizamos para a produção do(s) futuro(s) possível(is). Há, no entanto, um privilégio das dimensões instrumentais e práticas do uso das tecnologias, em detrimento de uma abordagem mais social, ou mesmo comportamental do uso das tecnologias. Pensar a importância das tecnologias como ferramenta de incremento social, como uma dimensão que altera nosso ser-estar no mundo e, através dessa compreensão, investigar seu papel na construção do devir, pensando-as a partir dos direitos humanos e do bem estar biopsicossocial (individual e coletivo) significa questionar, compreender e projetar a forma pela qual lidamos com o mundo tecnológico no qual estamos inseridos e, ao que tudo indica, que continuará a se renovar em alta velocidade.
    A – TECNOLOGIAS SOCIAIS: DESENVOLVIMENTOS RECENTES E IMPACTOS SOCIAIS
    “Conjunto de técnicas, metodologias transformadoras, desenvolvidas e/ou aplicadas na interação com a população e apropriadas por ela, que representam soluções para inclusão social e melhoria das condições de vida” (ITS BRASIL. Caderno de Debate – Tecnologia Social no Brasil. São Paulo: ITS. 2004: 26) O desenvolvimento tecnológico com o intuito de provocar impactos sociais positivos tem sido um campo ainda pouco trilhado, mas promissor para a ciência e a tecnologia. Não se trata apenas de democratizar o acesso às tecnologias existentes – ou ás novas criadas – mas de se pensar a tecnologia a partir de bases sociais, o que pode implicar em mudanças profundas na forma pela qual pensamos e agimos na atualização tecnológica. Prescrutar o que tem sido feito neste sentido e refletir sobre as novas possibilidades que esse campo sugere é procurar novas representações para o desenvolvimento tecnológico colocando a humanidade – as sociedades – como o centro de nossas buscas e pesquisas, o que é uma reorientação radical no modelo de desenvolvimento tecnológico atual.
B – TECNOLOGIAS COMUNICACIONAIS:
Se há hoje uma novidade em termos de tecnologia é a ampliação da capacidade de comunicação em tempo real fazendo explodir limites recentes de espaço e tempo e capacitando a comunicação em rede em um espaçotempo instante – mundo. As distâncias abolidas, ou ressigniifcadas, são hoje um fato, fazendo ampliar a capacidade de produção e difusão de conhecimento, mas também de produção de muita confusão com a propagação de notícias falsas e a dificuldade em nos certificarmos da validade dessa ou daquela informação que, em certos casos pode ser o seu contrário, isto é, fonte de desinformação. Refletir em torno dessas questões e como lidar de forma inteligente e significativa com as tecnologias comunicacionais é nosso grande desafio.
C – USOS E ABUSOS DOS DISPOSITIVOS MÓVEIS: ISOLAMENTO E REDES
Os dispositivos móveis têm realizado uma verdadeira revolução no nosso ser estar no mundo contemporâneo. Todos nós (ou quase) temos nossos aparelhinhos como uma extensão de nosso corpo e nele depositamos uma parte significativa de nosso tempo (livre ou mesmo de trabalho/estudo). Alguns pesquisadores têm atentado para a dependência que alguns de nós já desenvolveu para com esses aparelhinhos, mas também há impactos em nossa percepção espacial e temporal, em nossas relações sociais, em nossos comportamentos. Há casos descritos de isolamento social crescente, ou até de depressão associados ao uso indiscriminado desses “recursos”. Negar seu potencial, ou  sua importância, defendendo “políticas de abstinência” talvez não seja o melhor caminho, mas sem dúvida temos que refletir sobre a forma pela qual temos nos apropriado – e utilizado esses aparelhinhos.

Subtema 7º ano 2021

  TEMA GERAL: CIDADES
7º ANO   As cidades concentram hoje a maior parte da população mundial e nas quais se produzem a maior parte do valor e da riqueza. Direta ou indiretamente, as cidades desempenham o papel de centralidade das ações na contemporaneidade que muitos autores denominam de urbanização do espaço mundial. Cidade e urbano não coincidem, ainda que mantenham entre si uma relação próxima, sendo o urbano mais ligado ao processo de realização social e a cidade a obra. Em uma mesma cidade, ou nas diferentes cidades, emergem as experiências urbanas – sempre diversas – que cada um de nós, individual ou coletivamente, produzimos ora levados pelo próprio movimento da cidade, ora agenciando nossas energias e recursos sociais.

Pensar as cidades e sua importância na experiência de mundo na contemporaneidade pode ajudar muito a compreender a dinâmica do mundo e, através dessa compreensão, orientar nossas ações para intervir e construir um mundo no qual desejamos viver. 

  7A – ZONAS LUMINOSAS E OPACAS NA METRÓPOLE: ONDE ESTARÁ O CENTRO?
 

 

 

 

Milton Santos argumenta que as cidades do mundo contemporâneo não devem ser interpretadas a partir da oposição centro periferia clássica, pois a periferia pode estar em toda parte – como áreas não importantes da cidade, áreas sombrias – e os centros (isso mesmo, múltiplos) os “espaços luminosos” diminutos articulados entre si e com outras áreas luminosas da globalização. Os centros operam, muitas vezes, como referência para o desenvolvimento das cidades, mas parece que a cada avanço seu, as diferenças – os abismos sócio-espaciais aumentam. Pensar os caminhos do devir da metrópole de Salvador talvez no desafie a redefinir as bases com as quais compreendemos a cidade, seus habitantes, sua cultura. Em que cidade desejamos viver? Onde – e como – pensar novas centralidades? Será que isso não depende do que colocamos no centro de nossas reflexões?
7B – COMO SE MEXER NA CIDADE
Caminhar, pedalar, deslizar pelas ruas de patins, skates, etc. ônibus, trem, carros, uber, 99, pop. E aí, vai de taxi? Um dos maiores desafios das cidades – esses gigantes de concreto e avenidas – é a circulação. Não apenas de casa ao trabalho, mas também para o lazer, o consumo, etc. Transporte coletivo de massa, ou alternativas partilhadas do uso do carro? Multimodalidade? Decidir os caminhos que queremos para nossas cidades passa pela definição, entre outros aspectos, da(s) infraestrutura(s) de e para circulação; de valorização – ou negação – dos espaços públicos, da experiência compartilhada; da afirmação da cidade como lugar de encontro (e circulação) ou de sua negação, do pensamento anti-cidade da valorização dos condomínios fechados e da circulação ponto a ponto entre garagens. E aí, para onde e como vamos?
7C – MEDO E VIOLÊNCIA NA CIDADE GRANDE
“sem margem para dúvidas, o medo [na construção e reconstrução das cidades] agudizou-se, como sugere o aumento do número de casas e veículos fechados à chave, a abundância dos alarmes, a grande aceitação de que gozam zonas de habitação cercadas e seguras entre pessoas de todas as idades e salários, bem como a vigilância cada vez maior dos lugares públicos, além das intermináveis notícias alarmistas difundidas pelos meios de comunicação. (ELLIN apud BAUMAN, 2006, p. 37) Cidades de muros, de medo, de violência. Essa é uma das características marcantes de nossas cidades e as alternativas até aqui criadas não se mostraram eficazes na diminuição da violência ou do medo. Refletir na construção social da violência, na(s) forma(s) pelas quais ela impacta o urbanismo e a economia urbana contemporânea (desde a segurança como negócio até o aumento de custos com seguros e policiamento) e possíveis reorientação de rotas parece ser o caminho mais “seguro” para enfrentar esse problema.

Subtema 6º ano 2021

6º ANOS

TEMA DA SÉRIE

CULTURA

Uma das dimensões mais importantes do mundo contemporâneo é a produção cultural das sociedades, como antes foi a agricultura e mais tarde a indústria. A produção cultural difere dos períodos anteriores por não estar diretamente atrelada à reprodução material da sociedade, mas sim à produção de significados e, claro, na disputa política de construção dos sentidos sociais do mundo. Muitas vezes se confunde a cultura com erudição e as artes são compreendidas como algo inacessível às pessoas comuns. Na contramão dessa perspectiva, há uma busca pela afirmação das artes como expressão social dos diversos grupos sociais que habitam as cidades contemporâneas, assim como uma busca dos “espaços de cultura” de se tornarem “espaços de partilha” (não gosto da ideia de espaços de inclusão) mais amplos. Refletir em torno da produção cultural, os espaços que ela ocupa, e sua importância na construção dos sentidos sociais é o desafio que se coloca para todos aqueles que pretendem participar da produção – reprodução ou transgressão – política das sociedades contemporâneas.
  SUBTEMA 6A – ESPAÇO PÚBLICO, ARTE E CIDADANIA
    A arte tem ocupado os espaços da cidade que é, como afirma Doreen Massey, a possibilidade da existência da multiplicidade (da diferença), portanto, dimensão aberta sempre a novas significações. A importância da arte nas cidades não se reduz à estética, mas é também política, dado que produtora de novas significações e desafios. Adorno escreveu que os poetas (artistas da palavra) raramente sabem muito bem o que dizem, mas sempre dizem antes, isto é, antecipam questões emergentes e nos fazem pensar o que até então parecia impensável. Observar a arte nos espaços públicos da cidade é mais que curiosidade ou experiência estética, mas a busca de produção de horizontes novos para o devir urbano, para aquilo que pulsa (e o que pulsa?) como possibilidade.
    6B – OCUPAR: ESPAÇOS INSTITUCIONAIS DE ARTE E SUA RELEVÂNCIA NA CIDADE
  SUBTEMA Por todos os cantos da cidade, mais concentrados no centro é verdade, centros de exposição e difusão cultural estão abertos, mas nem sempre devidamente visitados. O acesso à produção cultural permanece ainda, em larga escala, restrita aos públicos iniciados. Aumentar o acesso a essa produção é um dos grandes desafios das instituições formais de exposição e difusão cultural. Interatividade, promoção, comunicação… qual será o caminho mais fértil? Como produzir um ambiente cultural favorável para que mais gente possa desfrutar dessa produção e, com isso, ressignificar a relação de todos com sua cidadania, que inclui o direito à cultura como um direito à cidade.
    6C – (RES)EXISTIR: ESPAÇOS ALTERNATIVOS DE ARTE NA CIDADE
  SUBTEMA A produção cultural não formal, ou não formalizada, é imensa e muito pouco difundida como forma de produção cultural política da cidade. Na maioria dos casos, o que se considera arte é a produção estética cultural das elites – das classes médias e alta da sociedade – diferenciando inclusive do que alguns denominam cultura popular, muitas vezes confundida, ou associada, à folclore. Diversos espaços alternativos de cultura nos mostram que é possível ampliar, e muito, nossos horizontes estéticos e, com isso, criarmos outras possibilidades de conceber o devir urbano, seja no plano da democratização de acesso às artes, seja no que as artes podemos nos informar como representações sociais na e da cidade.
    6D – ARTE DE INTERVENÇÃO: ESTÉTICA E POLÍTICA
  SUBTEMA A história das cidades e das artes muitas vezes se misturam, seja na arquitetura – uma dimensão objetiva mais imóvel – seja na produção artística que encontra no espaço urbano campo importante de manifestação e deslocamento estético, sensível, com importantes efeitos na experiência individual e coletiva das cidades. Já na década de 20, o dadaísmo buscava alterar o estatuto da arte de “representação do mote à construção de uma ação estética a ser realizada na realidade da vida cotidiana” ou que os levou a organizar “excursões urbanas aos lugares banais da cidade” (Careri: 2013). Mais tarde, Guy Debord e os situacionistas radicalizaram a proposta de intervenções artísticas no espaço urbano com o objetivo de irromper o cotidiano alienado das cidades e propor uma apropriação do espaço que incorporasse o sensível. De lá para cá diversos foram os artistas que se organizaram individualmente, ou em coletivos, para propor intervenções urbanas com o objetivo de produzir novas significações na experiência cotidiana. Em Salvador, por exemplo, o Grupo de Intervenção Ambiental (GIA) tem desenvolvido diversos trabalhos neste sentido. Investigar algumas dessas propostas de arte de intervenção, refletir acerca suas intenções e táticas, e os possíveis impactos na experiência individual e coletiva nas cidades é o nosso objetivo.